Inteligência artificial até 2020: fato ou ficção?

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Inteligência artificial até 2020: fato ou ficção?

Da sigla americana A.I (Artificial Intelligence) e traduzida como I.A (Inteligência Artificial) no Brasil, muitos se perguntam quando teremos verdadeiramente a primeira funcionando entre nós – e talvez isso aconteça antes do que imaginamos.

Esta é a nova corrida do ouro e nela existe uma infinidade de empresas quem têm investido muito dinheiro para alcançar esta tecnologia. O Gartner estima que quase todos os softwares terão I.A integrada até 2020, mesmo que em níveis bem básicos e limitados.

Para quem não conhece, o Gartner é uma empresa de consultoria fundada em 1979 por Gideon Gartner, e trabalha com pesquisas de tendências do mercado e desenvolvendo tecnologias relacionadas a introspecção necessária para seus clientes tomarem suas decisões todos os dias. São mais de 390 milhões de interações com o mercado de tecnologia por ano para mais de 110 mil empresas em todo o planeta.

Gartner-conferenceAgora que sabemos de quem estamos falando, segundo a consultora, essa deve ser uma das cinco prioridades de investimento para mais de 30% dos CIOs (Chief Information Officers) pelo mundo!

Mas é preciso diferenciar: muito do que existe hoje não pode ser considerado I.A, mas sim Inteligência Aumentada. A diferença pode parecer pequena, mas as aplicações desses conceitos funcionam de forma bastante distinta.

Inteligência Artificial é a ideia de um sistema que reproduz a cognição humana e funciona de forma autônoma. Já a Inteligência Aumentada tem como base sistemas com tecnologia cognitiva, pensados para apoiar os seres humanos, seus planejamentos e análises, algo extremamente limitado.

As duas vertentes tiveram início na década de 50, mas o termo “Inteligência Artificial” passou a ser aplicado de forma mais ampla, nomeando inclusive alguns produtos que são resultado de pesquisas em Inteligência Aumentada. E é nesta tecnologia que se aposta para um futuro não tão distante. Isso porque o ser humano não será retirado da equação, do momento da decisão.

Há muitos riscos em uma Inteligência Artificial consciente tomar decisões por si só, de fato! Existem alguns grupos radicais, inclusive, de tecnocratas do mundo real, que estão se preparando para este possível futuro apocalíptico (sim, isso realmente existe), presente em diversos filmes da cultura pop que abordam temas apocalípticos. Talvez o mais famoso seja “O Exterminador do Futuro”, de James Cameron, que conta a história de como uma I.A. de uma empresa chamada Cyberdyne Systems, a Skynet, torna-se senciente e se rebela, no intuito de destruir a humanidade. Vale ressaltar que a internet do jeito que conhecemos ainda não era uma realidade e talvez Cameron tenha se baseado na ARPANET (Advanced Research and Projects Agency – Agência de Pesquisas em Projetos Avançados), criada em 1969 para fins militares e desconectada – até onde se sabe – em 1990.

Cyberdyne Systems 1000x600Mas vamos guardar as devidas proporções e deixar a fantasia e a viagem no tempo de lado! Quando falamos de I.A. há de se convir que o ser humano precisa ter controle sobre a tecnologia. O próprio Stephen Hawking já disse que a inteligência artificial pode acabar com a humanidade se não soubermos controlá-la. E esse cara aí não é um escritor de ficção, é apenas uma das mentes, se não a mente, mais brilhante da atualidade, deixando Gates, Linus e até mesmo o finado Jobs como primatas perto dele! Ok.. Talvez tenha exagerado um pouco!

Mas deixando Schwarzenegger, Matrix e tantos outros de lado, e parando pra pensar em algo palpável e próximo à nossa realidade, como os carros autônomos (que a Uber tanto almeja), os perigos reais começam a surgir. No caso de um acidente iminente e sem chances de ser evitado, por exemplo, a máquina deverá escolher quem será ferido com mais gravidade ou até morrer. Como lidar com isso? Quem será responsável pelo acidente? Como as montadoras e seguradoras devem agir nesse caso? Este problema inclusive é mostrado no filme “Eu, Robô”, estrelado por Will Smith, e dentro das três leis da robótica criadas por Isaac Azimov. Talvez, se pensarmos em termos de 100% de autonomia de trânsito, retirando a “imperfeição” da desatenção humana dos volantes, o trânsito se tornaria 100% seguro e com estimativas de chegada e partida mais precisas que as que temos hoje no Japão!

Dilemas morais, éticos, tecnológicos e de responsabilidade existem e são as principais barreiras que devemos enfrentar antes de por esta tecnologia em prática. Imagine o que deve ser ensinar a uma máquina as três leis da robótica de Azimov? Claro que estamos nos referindo às três leis como algo que seria palpável para o mundo real, por mais que venha da ficção. Mas não seria este o papel da ficção científica? Mostrar ideias para serem desenvolvidas, criando desafios sobre tecnologias inimagináveis, que poderão um dia tornar-se uma realidade comum e até banal entre nós?

Esses tipos de questões são as que tornam as aplicações da I.A. pouco viaveis para um prazo tão próximo! Apesar de muita gente a querer, por qual motivo iríamos retirar o ser humano da jogada? Teríamos que “pisar em ovos” para saber aos poucos como seria o comportamento da máquina no estado de “controle” de si e de alguma parte da sociedade, antes de pensar em substituir este controle quase que completamente.

A I.A. apresentada nos filmes sugere que a máquina teria passado no teste de Turing. Este seria basicamente o fator de maior temor que poderíamos presenciar; mas também seria o único ponto que provaria que é possível transcender a máquina de seu estado de sim e não, para um talvez.

teste de TuringJá a Inteligência Aumentada se aproxima, de fato, do que há hoje. Podemos usá-la em aplicações que verificam informações online sobre diagnósticos e apoiam o parecer de um médico, ou em análises financeiras parcialmente interpretadas que suportam tomadas de decisão. Esse tipo de uso, com base na análise de dados e que caminha lado a lado com a decisão humana, é mais simples, eficiente e seguro, mas também é a base para a construção de um sistema inteligente que possa aprender com as nossas próprias decisões, baseando o sim e o não em uma nova análise pós-resultado da mesma decisão para gerar uma análise do resultado final, incluindo em uma próxima uma possível nova sugestão, o talvez.

Acredita-se que o ser humano é – e sempre será – essencial para tomar decisões, pois as máquinas não são (ainda) capazes de captar e interpretar todas as nuances das nossas relações, ou mesmo ter algo próximo à inexplicável intuição. Por mais poderosos que os nossos processadores possam ser hoje, nenhum deles opera como um processador ternário, e isso implica em não existir a variação que simule essa intuitividade que guarda os erros e acertos como experiências de vida.

A Inteligência Aumentada é do que precisamos de imediato, e é nela que investidores apostam para 2020, ao menos enquanto não soubermos como mitigar os riscos da Inteligência Artificial e transformá-la em algo que não sairá do controle.

Como dica para filmes atualizados que falam sobre o tema, recomendo fortemente:

Transcendence: A Revolução. O filme é de 2014 e conta a história de um cientista que teve seu cérebro “clonado” para um computador em seu leito de morte. Muitas das implicações filosóficas podem ser nitidamente visíveis neste filme, que conta com Morgan Freeman e Johnny Depp no elenco.

EX_MACHINA. Conta a história de um analista que é convidado para realizar o teste de Turing em uma localização remota, em um ambiente completamente controlado. O filme conta com Oscar Isaac (que interpreta o Paul Dameron, da nova trilogia de Star Wars), Domhnall Gleeson e Alicia Vikander (que interpreta magnificamente a inteligência artificial).

Por fim, recomendamos a série Person of Interest que, além de criada por Jonathan Nolan e produzida por J. J. Abrams, conta com um elenco de primeira em uma história que se baseia em uma máquina capaz de prever crimes e está conectada em todo o território dos EUA, a qualquer sistema de vigilância e comunicação. Apesar do foco da série ser na ação, o seriado é um prato cheio para quem curte Hacking e compreende as nuances da I.A., que vai se mostrando cada vez mais capaz ao longo das suas 5 temporadas. Tratam de forma épica quando o assunto é a inteligência e a interação entre o homem e a máquina. Há quem acredite que uma máquina como esta já existe e não está operando “apenas em solo americano”.

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Consultor de tecnologia especializado em soluções criativas, podcaster e produtor cultural. Fundador do PernambucoNERD.com, já realizou inúmeras ações no meio da cultura POP. Atualmente, trabalha em seu livro de RPG e nas ações do Domain Geek. O cara dos planos malignos! Gênio do mau, ele desenvolveu várias ideias que por alguma razão, nunca deram certo... Continua com o seu sonho de conquistar o mundo e depois decidir o que vai fazer com ele. Enquanto não está fazendo o papel do vilão, ele investe seu tempo em projetos produtivos de inovação e da economia criativa, afinal, todos precisamos de um hobbie! Profissionalmente, atua na Domain e trabalha com consultoria de T.I. Jogos: StarCraft, League of Legends, The King of Fighters, TEKKEN, Street Fighter, R-Type, WipeOut, Mega Man e Unreal Tournament.

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