Doctor Who – Especial de Natal Decepciona Fãs (SPOILER ALERT!!!)

Steven Moffat já foi muito melhor que isso!

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Tinha tudo pra ser bombástico! Para repercutir por eras como uma das mais brilhantes obras de Steven Moffat em sua trajetória de mais de 10 anos nesta nova era de Doctor Who; seu fechamento com chave de ouro! Mas não foi. Até mesmo porque o acontecimento mais importante de todos, a regeneração de Peter Capaldi em Jodie Whittaker, já não era novidade há meses! Com conceitos tão maravilhosos para o episódio de encerramento, simplesmente ficamos com o gosto de “podia ter sido melhor”. E podia mesmo!

Dois grande atores, dois maravilhosos personagens em um texto raso e filosófico demais.
Dois grande atores, dois maravilhosos personagens, em um texto raso e filosófico demais.

Não há um grande vilão!

Isso mesmo, nobre whovian, não temos um grande vilão neste especial de Natal, que marca o fim de três eras (a Era Capaldi, a Era Moffat e a Era Doctor Man). Os “Seres de Vidro”, mostrados nos trailers de Doctor Who: Twice Upon a Time, eram na verdade o Testemunho, uma organização futurista que coleta memórias dos mortos no ato de seus momentos finais, e assim preservam a memória do Universo em si. Eles não matam ninguém, não prejudicam ninguém e o pobre Capitão deslocado no tempo é na verdade uma falha do sistema. A única coisa que o Testemunho quer é entender o Doctor e, quando isso fica estabelecido, eles até devolvem a sua TARDIS. Olha que gente boa!

Pois é, o grande vilão na verdade era um dos bonzinhos do universo!
Pois é, o grande vilão na verdade era um dos bonzinhos do universo!

Bill Potts não é Bill Potts!

Uma das maiores falhas do episódio… Quando foi anunciado que Pearl Mackie estaria no episódio final de Doctor Who, todo mundo vibrou! Afinal, quem não ama Bill Potts? Infelizmente, e o próprio Doctor confirma isso no episódio, aquela que aparece não passa de um construto do Testemunho, criada a partir das memórias de Bill e que acredita ser a própria. É muito mais fácil aceitar a alucinação de Clara Oswald fornecida pelo próprio Testemunho (e ali nós sabemos que é uma visão), que uma falsa Bill o tempo todo. Foi assim com o 11º Doctor e Amy Pond e foi lindo! Viu-se aqui uma clara preguiça de Moffat em fazer algo mais delicado para o nosso 12th! Isso tudo só serviu mesmo para termos certeza de que Bill e Nardole estão mortos. Mas e River Song? Spoilers!

O nosso 12th merecia mais que dois construtos de memórias.
O nosso 12th merecia mais que dois construtos de memórias.

Doutores fracamente aproveitados!

David Bradley é maravilhoso (quem não odiou Walder Frey?); Peter Capaldi é um mestre! A química em cena entre os dois é perfeita! E é isso que nos rende bons momentos em cena com estes dois gigantes pessimamente aproveitados… Moffat já fez muito mais com muito menos (quem não lembra do clássico Blink Season 03 Ep 10?). Infelizmente, na maior parte do tempo, o 12º fica se exibindo para o 1º com sua Chave de Fenda Sônica e seu horrível Óculos Escuro Sônico (como o Moffat achou que isso era uma boa ideia?). Ah, e claro, nada como destacar o chauvinismo do 1º Doctor para tentar torná-lo desagradável perante os fãs. Ainda assim, há cenas que valem a pena, pois Capaldi e Bradley conseguem se sobressair em alguns momentos, mesmo com um texto tão ruim.

Com tanta coisa maravilhosa que podia ter sido feita em cena, praticamente resumiram os dois Dactors a dois velhos rabugentos e lamuriosos.
Com tanta coisa maravilhosa que podia ter sido feita em cena, praticamente resumiram os dois Doctors a dois velhos rabugentos e lamuriosos.

A história é fraca!

Muito, muito fraca! Na verdade, é uma desculpa esfarrapada para colocar o Mark Gattis na história, só isso. Tudo é focado em descobrir o que o Testemunho quer e quando isso é descoberto, acabou-se tudo, perde-se a graça e o sentido. Fica na cabeça da gente aquele “Ah, então era isso? Só isso mesmo? Nenhuma grande reviravolta? É Doctor Who mesmo?”. Pegando o gancho lá de cima, vemos muito pouco da sagacidade dos dois Doctors na resolução do conflito da história. Como dissemos lá em cima, não há um grande vilão. E sem um, as histórias tendem a ser ruins.

Com tanto marketing envolvido, esperávamos algo mais épico!
Com tanto marketing envolvido, esperávamos algo mais épico!

Mas nem tudo é tristeza, afinal…

Pois é, Moffat, você tinha tudo: O 1st e o 12th Doctors, Capaldi e David Bradley, Pearl Mackie! E o resultado foi fraco, muito fraco… Mas nem tudo foi ruim. Algumas coisas se salvaram nesse episódio, então vamos a elas pra tirar o gosto ruim da boca.

DAVID BRADLEY!

Sem dúvida alguma, o melhor de todo o episódio é a atuação de Bradley como o 1st Doctor. O ator, ainda que tente dar sua própria interpretação do 1st Doctor para se diferenciar do saudoso William Hartnell, homenageia com maestria este tão amado ator que deu vida ao nosso querido Doctor. Palmas para Bradley por mais uma brilhante interpretação, e por nos permitir matar a saudade de um grande personagem, tão amado pelos whovians. De brinde, ainda tivemos as brevíssimas aparições de Ben e Polly em novos atores.

David Bradley dando um show de interpretação em Twice Upon a Time.
David Bradley dando um show de interpretação em Twice Upon a Time.

UM MONÓCULO VALE MAIS QUE UM ÓCULOS SÔNICO

Quando quer, Moffat sabe fazer; por isso, dizemos que ele foi preguiçoso em Twice Upon a Time. Em uma sequência maravilhosa, com o 12th se gabando de seu (argh) óculos sônico, o velho 1st Doctor com seu monóculo normal consegue observar detalhes no rosto da escultura digital do Testemunho que, com toda tecnologia sônica, o 12th não conseguira enxergar!

Um momento brilhante do episódio. Aqui Moffat merece palmas!
Um momento brilhante do episódio. Aqui Moffat merece palmas!

CAPALDI PILOTA A 1ST TARDIS

Sim, foi emocionante ver o 12th Doctor pilotando a primeira TARDIS. Whovian que se preza não pode jamais deixar de passar esse momento tão ímpar na história de Doctor Who!

Um momento único para o 12th Doctor.
Um momento único para o 12th Doctor.

A TRÉGUA DE NATAL

Sim, esse é um momento alto do episódio e algo que nos faz refletir, além de ser um fato que realmente ocorreu na história torturante da Primeira Guerra Mundial. Não que a partir dali a história faça sentido ou dê sentido aos personagens (é mais um momento de sub aproveitamento dos Doctors – mesmo que o 12th diga que ajustou o relógio do tempo para que a reinserção do Capitão coincidisse com o Natal). É nesse momento que descobrimos que o Capitão, na verdade, é um antepassado do Brigadeiro Lethbridge Stewart, nosso querido comandante da UNIT.

Fato histórico: no Natal de 1914, aliados e inimigos abandonaram as trincheiras e celebraram a paz.
Fato histórico: no Natal de 1914, aliados e inimigos abandonaram as trincheiras e celebraram a paz.

Há muitas outras coisas que podíamos elencar como: porque diabos trazer o Dalek Rusty de volta com tanto personagem mais interessante pra isso?; porque não trouxeram Susan para um reencontro com o Doctor antes de sua regeneração?; porque River Song não apareceu, nem mesmo como uma memória do Testemunho?; como pode o banco de dados dos Daleks ser melhor que o de Gallifrey?; se havia um filtro de percepção, como o Capitão consegue ver o 12th no final do episódio?

Perguntar não ofende: o orçamento tava curto pra pagar um ator e trazer um personagem mais importante?
Perguntar não ofende: o orçamento tava curto pra pagar um ator e trazer um personagem mais importante?

Um Toque Especial Aqui

Pra finalizar, basta dizer que Moffat utilizou algo que já aconteceu na mitologia de Doctor Who: Estamos falando da trégua no Natal de 1914, que teve a participação de outro Doctor na HQ The Forgotten. The Forgotten é um quadrinho de Doctor Who que abrange o período do 10th, vivido por David Tennant. Nela, ele revive algumas memórias, e uma delas é de sua nona encarnação (vivida por Christopher Eccleston) onde, junto com Rose Tyler, visita o Front no Natal de 1914. Confira algumas páginas:

DWF 005 12

DWF 005 16

DWF 005 18

Ou seja, pelo menos 3 Doctors (1st, 9th e 12th) estiveram presentes no Front durante o Natal de 1914. Vale lembrar que os quadrinhos fazem parte do universo expandido e, portanto, da cronologia oficial de Doctor Who!

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